quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Quem somos?



O Cursinho Popular Dandara dos Palmares é composto por educadores voluntários, oriundos de universidades públicas e particulares da região, como UNICAMP, USP, PUC e UNESP. Os educadores são estudantes de graduação e pós ou já trabalham em suas áreas de formação. Muitos educadores também são ex-alunos do projeto, que após entrarem na universidade se envolveram com a educação popular e a luta pela democratização da universidade pública.

Turma de 2014

OBJETIVOS DO PROJETO E PERSPECTIVA PEDAGÓGICA
Construir educação popular com jovens e adultos provenientes do ensino público. Sabemos que, apesar de possíveis defasagens de conteúdo ocorridas durante os anos escolares, todos têm o direito de cursar o ensino superior ou técnico público, gratuito e de qualidade.

Acreditamos, assim como Paulo Freire, que educar é um ato político. Nesse sentido, buscamos uma educação que, apesar de preparar os alunos para o vestibular, não seja meramente tecnicista, bancária e acrítica, mas proporcione principalmente a formação de consciência social e autonomia. Do mesmo modo, assim como também propõe o educador Dermeval Saviani, acreditamos que os setores populares têm o direito ao conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos séculos, apropriando-se dele não de maneira passiva, mas como instrumento para a transformação de si e dos espaços de poder injustos que reproduzem a própria desigualdade social e educacional. Nesse sentido, nosso objetivo é que nossos educandos ocupem o espaço da universidade e sejam capazes de se posicionar e agir diante das questões políticas e sociais que fazem parte de sua realidade.

BREVE HISTÓRICO
O cursinho surgiu em 2010, a partir do esforço de muitos estudantes de graduação em conjunto com a então gestão do Diretório Central dos Estudantes da Unicamp (DCE), ligada ao coletivo Domínio Público. Naquele momento o projeto se denominava “Cursinho Popular do DCE UNICAMP”. Durante dois anos, as aulas foram oferecidas todas as noites na EE Carlos Gomes, no centro de Campinas. Desde seu surgimento, o cursinho se relacionou com o movimento de cursinhos populares da cidade, o qual já possui mais de uma década. Além disso, desde cedo o projeto garantiu que seu cotidiano de aulas seria pensado em torno da preparação para o vestibular, da discussão sobre temas relevantes para a sociedade brasileira (como o direito ao transporte público de qualidade, democratização da mídia, reforma agrária e urbana, machismo, homofobia e racismo etc), bem como da participação em atividades relativas à vida política no município e no Brasil.

Em 2013 nos instalamos na EE Adalberto Nascimento. Em 2014, nos instalamos na EE Prof. Luiz Gonzaga de Moura, no Taquaral, e abrimos outra sede na EMEF Pe Narciso Vieira Ehremberg (Escolinha Branca), na região do São Marcos. Em 2015, atingimos o total de 200 alunos matriculados no início do ano e adotamos novo nome “Cursinho Popular Dandara dos Palmares”. A mudança de nome reflete o desejo de afirmar no nome e na prática símbolos de resistência que nossos livros de história insistem em apagar. Dandara dos Palmares foi uma das lideranças do Quilombo dos Palmares, verdadeiro símbolo de luta do povo negro escravizado e marginalizado da sociedade dita “civilizada”. Como ocorre hoje, milhares de jovens, trabalhadores, sobretudo mulheres negras, são marginalizadas e têm seu direito a uma educação de qualidade negado. Ainda assim, resistem bravamente e não desistem do sonho de ocupar uma vaga na universidade pública. Por isso, Dandara dos Palmares reflete nosso desejo de resistência e transformação da realidade.

Ao longo desses anos, o Cursinho Popular Dandara dos Palmares contribuiu com a luta pela democratização do ensino superior não só com a aprovação de dezenas de estudantes (hoje matriculados em universidades importantes, como UNICAMP, USP, PUC, UNESP, UFRJ, UFPR etc), como também com a pressão pela ampliação de vagas no ensino superior, com a luta por cotas nas estaduais paulistas e pelo direito à assistência estudantil plena.  Nesses poucos anos, acreditamos ter feito muita diferença na vida de muitos educandos e na luta por uma educação justa. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer e esta história é só um começo.